Características dos Orixás: Guia Completo sobre Identidade e Proteção Espiritual
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A busca por identidade é um dos motores mais poderosos da alma humana. No contexto da espiritualidade brasileira, especialmente na Umbanda e no Candomblé, essa procura muitas vezes nos leva ao encontro dos Orixás. Saber quem são seus protetores e entender as características herdadas dessas divindades não é apenas uma curiosidade mística; é um processo profundo de autoconhecimento que revela por que reagimos de certas formas à vida, quais são nossas forças naturais e onde residem nossos maiores desafios evolutivos.
Os Orixás são emanações das qualidades do Divino Criador (Olorum), cada um regendo um aspecto específico da natureza e da nossa própria psique. Quando dizemos que alguém é "filho de tal Orixá", estamos nos referindo à frequência vibratória que moldou o Orí (cabeça) e o espírito daquela pessoa. Identificar-se com essas forças é como encontrar a peça que faltava no quebra-cabeça da nossa existência, permitindo-nos caminhar com mais segurança sob a proteção direta de pais e mães espirituais que guiam nossos passos desde o nascimento.
Neste guia completo, exploraremos as qualidades dos Orixás organizados pelos sete tronos divinos. Você descobrirá como a fé, o amor, o conhecimento, a justiça, a lei, a evolução e a geração se manifestam através de pares vibratórios. Entenda a dualidade entre o polo masculino e feminino de cada trono e veja como essas energias moldam a personalidade de seus filhos. Prepare-se para um mergulho em sua própria essência e descubra quem você é no plano espiritual.
1. O Trono da Fé e do Tempo: Oxalá e Logunan
No topo da hierarquia vibratória, encontramos o Trono da Fé, regido por Oxalá, o Orixá que irradia a paz, a pureza e a religiosidade. As características dos filhos de Oxalá incluem uma serenidade natural, uma busca incessante pelo equilíbrio e uma forte inclinação para ajudar o próximo. São pessoas que, em equilíbrio, transmitem uma calma profunda e possuem uma autoridade silenciosa, agindo muitas vezes como conciliadores em ambientes de conflito. O branco é sua cor, simbolizando a união de todas as cores e a luz divina.
Ao lado de Oxalá, sustentando o polo passivo e magnetizador deste trono, está Logunan (também conhecida como Oiá Tempo). Enquanto Oxalá expande a fé, Logunan a direciona e controla o tempo necessário para que essa fé amadureça. Ela é a senhora dos ciclos, aquela que esgota os excessos e coloca o indivíduo no "tempo certo" da espiritualidade. Filhos de Logunan costumam ser pessoas analíticas, que valorizam o tempo de cada coisa e possuem uma percepção aguçada sobre a transitoriedade da vida, muitas vezes atuando nos bastidores com grande eficácia.
A dinâmica deste par ensina que a fé sem o tempo é ansiedade, e o tempo sem a fé é vazio. Quem busca proteção neste trono encontra o amparo necessário para manter a esperança ativa, mesmo em períodos de seca espiritual. A identidade desses filhos é marcada pela retidão moral; eles são os pilares que sustentam a crença de que, acima de qualquer dor material, existe uma ordem divina que tudo coordena. Quando você sente uma paz inexplicável após uma prece, é a vibração de Oxalá e Logunan atuando em seu campo áurico.
2. O Trono do Amor e da Renovação: Oxum e Oxumaré
O Trono do Amor é regido pela doçura e pela força das águas doces de Oxum. Conhecida como a mãe da fertilidade, do ouro e da diplomacia, Oxum imprime em seus filhos características de grande sensibilidade, charme e um forte instinto maternal ou protetor. Os filhos de Oxum são estrategistas natos, preferindo a persuasão e o carinho ao confronto direto. Eles possuem um brilho pessoal que atrai prosperidade, mas também podem carregar uma fragilidade emocional que exige cuidado constante com a autoestima.
Complementando este trono no polo renovador, temos Oxumaré, o senhor do arco-íris e da transformação. Oxumaré rege a renovação do amor e dos sentimentos, permitindo que o que estagnou volte a fluir. As características de seus filhos envolvem a versatilidade e a capacidade de se reinventar após grandes crises. Eles são o movimento de subir e descer, o ciclo que garante que a vida nunca pare. Fisicamente, são pessoas que apreciam a estética e a beleza, sempre buscando o novo e o inusitado em suas trajetórias.
Este trono é essencial para quem busca identidade emocional. Se Oxum traz a agregação e a concepção, Oxumaré traz a renovação necessária para que o amor não se torne posse. Juntos, eles protegem os laços afetivos e a saúde das águas do nosso corpo. Identificar-se com este trono é aceitar que a vida é um fluxo constante de emoções, e que a verdadeira riqueza não está apenas no ouro material, mas na capacidade de amar e ser amado com pureza e liberdade.
3. Os Tronos do Conhecimento e da Lei: Oxóssi, Obá, Ogum e Iansã
No campo da expansão e da verdade, encontramos Oxóssi e Obá. Oxóssi é o caçador de uma flecha só, o senhor das matas e do conhecimento expansivo. Seus filhos são curiosos, ágeis e possuem uma mente sempre pronta para novas descobertas. Já Obá atua na concentração do conhecimento; ela é a terra que fixa a semente. Filhos de Obá são extremamente focados, leais e às vezes rígidos em suas convicções, garantindo que o conhecimento de Oxóssi se transforme em sabedoria prática e não se perca no ar.
Já no Trono da Lei e da Ordem, reinam Ogum e Iansã. Ogum é a própria lei em ação, o senhor dos caminhos e do ferro. Seus filhos são guerreiros, impulsivos e dotados de um senso de justiça inabalável; são aqueles que abrem frentes e não fogem da luta. Iansã, por sua vez, é a senhora dos ventos e raios, regendo o movimento da lei. Ela direciona a força de Ogum com a velocidade da tempestade. Filhos de Iansã são intensos, apaixonados e independentes, possuindo uma força temperamental que limpa o caminho de qualquer injustiça.
Esses dois pares são os protetores da nossa conduta ética e profissional. Se você se sente impulsionado a estudar, a caçar oportunidades ou a lutar por direitos, está sob a influência direta de Oxóssi ou Ogum. Se busca foco e clareza para não se deixar levar por fofocas ou dispersões, a energia de Obá e Iansã é o seu escudo. A identidade desses filhos é forjada na ação; eles não esperam a vida acontecer, eles provocam o movimento necessário para a evolução.
4. Os Tronos da Evolução e da Justiça: Obaluaiê, Nanã, Xangô e Oroiná
A evolução humana é regida pela ancestralidade de Nanã Buruquê e pela transmutação de Obaluaiê. Nanã é a senhora dos pântanos, a avó dos Orixás que decanta a alma para que ela possa reencarnar pura. Seus filhos são sábios, pacientes e às vezes lentos, pois carregam o peso da experiência. Obaluaiê é o senhor da cura e da transformação através da terra. Seus filhos costumam ser reservados, resilientes e possuem um dom natural para cuidar dos outros, entendendo que a dor é muitas vezes o prelúdio de uma grande cura espiritual.
No Trono da Justiça, encontramos o equilíbrio absoluto de Xangô e o fogo purificador de Oroiná (também chamada de Egunitá). Xangô é o rei que julga com o machado de dois gumes, regendo o equilíbrio e a razão. Seus filhos são vaidosos, firmes e possuem um senso de justiça que não admite parcialidades. Oroiná atua no polo negativo (absorvedor) da justiça, consumindo através do fogo as injustiças e os desequilíbrios mentais. Seus filhos são enérgicos, purificadores e não toleram a mentira, agindo como verdadeiros "faxineiros" espirituais onde quer que estejam.
A conexão com esses Orixás revela uma identidade focada no amadurecimento. Se você se sente atraído por questões de direito, filosofia ou cura, seus protetores podem estar nestes tronos. Eles ensinam que nada escapa à lei do retorno e que a evolução exige que deixemos para trás as velhas cascas para que o novo espírito floresça. São Orixás que trazem estabilidade e autoridade, garantindo que o indivíduo caminhe com a coluna ereta e a consciência tranquila.
5. O Trono da Geração e do Descarrego: Iemanjá e Omolú
Por fim, chegamos ao Trono da Geração, regido pela imensidão de Iemanjá. Como a mãe de todos, Iemanjá rege a criatividade, a maternidade e a geração de novas ideias e vidas. As características de seus filhos incluem o acolhimento, o sentimentalismo e uma forte ligação com a família. Eles possuem uma alma oceânica: podem ser calmos e profundos em um momento, e impetuosos como uma ressaca no outro. São os grandes sustentadores da vida e da continuidade da espécie.
Encerrando o ciclo, temos o polo estabilizador deste trono: Omolú. Enquanto Iemanjá gera, Omolú atua no fim do ciclo, garantindo que o que está morto ou doente seja paralisado e decantado. Ele é o senhor do "campo santo", regendo o descarrego profundo e o renascimento. Filhos de Omolú são sérios, discretos e possuem uma força interna capaz de suportar as maiores provações sem reclamar. Eles são os guardiões dos portais, aqueles que garantem que a vida só recomece após a devida purificação do que passou.
Este par é fundamental para a manutenção da nossa saúde física e espiritual. Se Iemanjá nos dá o impulso para criar, Omolú nos dá a sabedoria para saber o que deve ser encerrado. Identificar-se com este trono é entender o ciclo completo da existência: nascimento, crescimento e morte como partes de uma mesma beleza divina. É a proteção máxima para a casa, para o ventre e para os momentos de transição mais difíceis da vida humana.
O Encontro com a sua Essência Divina
Em resumo, as características dos Orixás funcionam como um mapa estelar para a nossa alma. Ao percorrermos os sete tronos divinos — da fé de Oxalá à geração de Iemanjá —, percebemos que não somos seres isolados, mas parte de uma engrenagem cósmica perfeita. Identificar seus protetores ajuda a abraçar suas qualidades naturais e a trabalhar seus pontos cegos, transformando a espiritualidade em uma ferramenta prática de evolução diária.
Seja através da força de Ogum, da doçura de Oxum ou da sabedoria de Nanã, cada Orixá oferece uma proteção única e um conjunto de lições que moldam nossa identidade. Lembre-se que o autoconhecimento é o primeiro passo para o axé (força vital) pleno. Quando você entende quem o rege, você para de lutar contra sua natureza e começa a fluir com o universo.
Você se identificou com as características de algum desses tronos? Muitas vezes, sentimos o chamado de mais de um par, refletindo a complexidade da nossa coroa espiritual. O próximo passo ideal é buscar uma orientação em um terreiro de confiança para realizar o jogo de búzios ou uma consulta espiritual e confirmar quem são seus pais e mães de cabeça. Gostaria de saber mais sobre como realizar sua firmeza para o seu Orixá protetor? Continue acompanhando nossas postagem!
Pedro Scäråbélo
Pedro Scäråbélo nasceu em São João da Boa Vista, SP, Brasil. Desde jovem, Pedro mostrou grande interesse pelo mundo espiritual e pelos mistérios do universo, o que o levou a se dedicar intensamente a estudos e pesquisas sobre esses assuntos. Ao longo dos anos, Pedro se tornou um renomado autor espiritualista, publicando diversos livros e cursos que abordam temas como mediunidade, reencarnação, espiritualidade, benzimento, autoconhecimento, ufologia, entre outros... https://pedroscarabelo.com.br/